Monkeypox: O que precisa de saber sobre a varíola dos macacos
O que é a Monkeypox (VMPX)?
A infeção por vírus Monkeypox (VMPX), também conhecida por vírus da varíola dos macacos, é uma doença viral que pode ser transmitida de animais para humanos, mas também de pessoa a pessoa.
Qual o seu impacto na saúde publica?
O vírus Monkeypox, apenas existia em países da África central e ocidental, mas, em 2022 causou um surto global em países que até então não tinham notificado esta doença, o que levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar a Monkeypox, uma emergência de saúde pública, em 2022, e também recentemente em agosto de 2024. Desde o início do surto em 2022, até ao final de julho de 2024, foram confirmados 99.176 casos e 208 mortes, entre os 116 países afetados. Até ao dia 31 de julho deste ano, Portugal conta com 1.196 casos confirmados e 3 mortes, associados a este vírus.
São conhecidos dois subtipos do vírus, o clado I e o clado II. O clado I é responsável por uma doença mais grave e mais letal, e, encontra-se apenas na República do Congo, sendo o clado II, o que produz sintomas mais leves, contudo, é o responsável pelo surto global que teve início em 2022. Em Portugal, apenas foram confirmados casos da clade II.
Como se transmite este vírus?
A transmissão por pessoa a pessoa ocorre por contacto pele com pele com alguém com Monkeypox, através de contacto físico ou sexual, ou por contacto próximo através de gotículas respiratórias. No entanto, também se pode contrair Monkeypox, através de objetos contaminados como, roupa ou ferimentos causados por agulhas.
A transmissão de animal para humano ocorre por meio de animais infetados através de mordidelas, arranhões ou ingestão de animais contaminados.
Quais são os sinais e sintomas desta doença?
A infeção por vírus Monkeypox (VMPX), causa sinais e sintomas que geralmente duram entre 2 a 4 semanas, e entre estes estão: lesões na pele ou mucosas, febre (>38ºC), dores de cabeça, cansaço, dores musculares e gânglios linfáticos aumentados. Um fator de diferenciação nesta doença são as lesões que causa na pele ou mucosas, que podem estar numa determinada região do corpo ou de forma generalizada, e a quantidade pode variar de pessoa para pessoa.
Estas lesões começam por ser manchas planas, que depois desenvolvem bolhas com conteúdo líquido, e, mais tarde formam úlceras com crostas. Pessoas com Monkeypox, podem transmitir a doença para outras até que todas as feridas tenham cicatrizado e uma nova camada de pele esteja formada.
Não se deve coçar, rebentar as bolhas ou raspar as lesões, porque, isso além de retardar a sua cicatrização, pode espalhar as lesões para outras partes do corpo ou até mesmo originar uma infeção.
Como é feito o diagnóstico desta doença?
O diagnóstico da Monkeypox envolve uma avaliação clínica, de sinais e sintomas sugestivos da doença que não são explicados por outras causas, pelo contacto provável ou confirmado com esta infeção, ou pela pesquisa do vírus através de uma amostra de sangue, ou de um exsudado ou fluído da lesão.
Existe tratamento para esta doença?
Esta doença na maioria dos casos apenas requer cuidados de suporte como, beber muitos líquidos, cuidar das lesões cutâneas e tomar medicamentos de venda livre para alívio de sintomas como dor e febre, como por exemplo, o Paracetamol e o Ibuprofeno. No entanto, algumas pessoas podem desenvolver sintomas mais graves, e eventualmente a doença pode mesmo ser fatal.
Existe uma vacina disponível em Portugal contra a varíola, para contexto preventivo e/ou de pós-exposição ao vírus, a JYNNEOS ®. Esta vacina é composta por 2 doses, e irá prevenir e/ou atenuar as manifestações clínicas deste vírus, mas, apenas será administrada em grupos de pessoas com risco acrescido mediante declaração de elegibilidade ou em pessoas que tenham tido um contacto próximo com um caso confirmado.
Que medidas de prevenção devo adotar em caso de suspeita ou confirmação de infeção pelo vírus?
São recomendadas as seguintes medidas:
Isolamento domiciliário e distanciamento físico até resolução das lesões;
Evitar contactos físicos próximos (pele com pele, ou pele com mucosas, incluindo contacto sexual) até resolução das lesões;
Não permanecer no mesmo espaço com crianças, grávidas e pessoas imunodeprimidas;
Lavar e higienizar frequentemente as mãos com água e sabão ou desinfetante para mãos;
Não partilhar objetos e superfícies do espaço doméstico, desinfetando-os com frequência;
Lavar o vestuário e têxteis com água quente e detergente numa máquina de lavar (>60ºC), em ciclo de lavagem prolongado;
Alertar pessoas que foram seus contactos próximos e procurar cuidados de saúde através do SNS24- 808242424;
Evitar contacto próximo com animais domésticos e outros animais;
Usar máscara facial caso necessite de se deslocar e cobrir as lesões, o mais possível, com vestuário.
Conteúdo Técnico Produzido por Iris Cesário- Licenciada em Farmácia- Farmácia Parreira Fórum Barreiro